Segurança das informações

Segurança das informações – Um tema longe de ser solucionado no Brasil e no Mundo.

Segurança de dados e sigilo de informações ainda é um tema longe de ser solucionado no Brasil e no Mundo.

A cada novo dispositivo lançado, cada nova transação bancária ou a cada novo meio de conexão e troca de informações, existe uma fragilidade que constantemente desafia o setor de tecnologia. O Brasil é um dos países que mais sofre ataques cibernéticos, principalmente com o Phishing (fraude eletrônica). Esta forma de ato ilícito cresceu 59% entre 2013 e 2012.

Segundo os estudos da consultoria IDC e da Universidade Nacional de Singapura encomendado pela Microsoft, o gasto total decorrente de questões como recuperação de dados e resolução de roubos de identidade causados por infecções em softwares ilegais será de US$ 4,6 bilhões em 2014 para as empresas brasileiras, enquanto o custo para as empresas internacionais será de US$ 491 bilhões, sendo US$ 364 bilhões para lidar com a perda de dados e outros US$ 127 bilhões por conta de questões de segurança.

Em geral, o perigo reside na combinação entre a ameaça e a vulnerabilidade que se dão tanto por produtos mal configurados e sem as atualizações mais recentes como também profissionais mal treinados não comprometidos e empresas que não possuem políticas de segurança.

De acordo com o estudo realizado pela consultoria Kapersky, os programas criados para roubar informações financeiras são Trojans bancários, keyloggers e duas classes de malware, uma que rouba carteiras Bitcoin (carteiras financeiras online e gratuitas) e outra que baixa softwares para gerar moedas criptografadas.

O malware não é o único método usado para roubar dinheiro online, o phishing, criação de cópias falsas de sites para obter dados confidenciais do usuário, também é bastante utilizado. Em 2013, mais de 330 milhões de ataques de phishing foram bloqueados por sistemas de defesa, dos quais 31,45%, foram realizados usando nomes de bancos, sistemas de pagamento eletrônico e lojas online.

Houve também atividade no segmento de malware para dispositivos móveis em 2013, com um elevado crescimento no número de aplicativos móveis capazes de roubar dinheiro das contas bancárias dos usuários sendo que a grande maioria dos ataques visava proprietários de smartphones Android.

Segundo o Relatório Norton de 2013, feito pela Symantec, cerca de 60% dos brasileiros com transações correntes pela internet, já foram vítimas de crimes cibernéticos. Além disso, 57% dos usuários de smartphones no Brasil já foram vítimas de crime virtual móvel. Vale lembrar que as transações bancárias via dispositivos móveis no Brasil atingiu em 2013 o montante de US$ 4,32 bilhões e hoje existem mais de 50 milhões de smartphones no país.

O Gartner prevê que o foco de violações mude para tablets e smartphones e alerta que até o ano 2017, cerca de 75% das falhas de segurança dos smartphones serão causadas por erros de segurança, configuração e mal uso no nível dos aplicativos. Um exemplo seria o erro de configuração nos serviços em nuvem pessoal através dos aplicativos existentes em smartphones e tablets.

Desse modo a melhor prevenção para evitar esse roubo de dados seria uma aplicação de configuração segura por meio de políticas de gerenciamento de dispositivos móveis, suportada pela blindagem de aplicativos e pela criação de contêineres para proteger dados importantes, além de criptografia e softwares de proteção mais avançados. O relatório anual da Symantec mostra que o Brasil ocupa a 8º posição no ranking de ataques cibernéticos pelo mundo. Os Estados Unidos lidera o ranking, seguidos pela China e Índia.

O Brasil vem tomando medidas para melhorar essa situação, como por exemplo, a Lei 12.737 e o Marco Civil da Internet que são indicativos de progresso. A Lei 12.737, conhecida como Lei Caroline Dieckman, entrou em vigência em Abril de 2013, passando a punir uma série de crimes referente a condutas no ambiente virtual tendo como pena, detenção de três meses a um ano, além de multa.

Está prevista também prisão de seis meses a dois anos, além de multa, para quem acessar dados de comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais e informações sigilosas. Caso o crime vier a ser cometido contra autoridades do Poder Executivo, Legislativo ou Judiciário, a pena chega a aumentar variando de um a dois terços.

A pena pode aumentar quando houver divulgação, comercialização ou transmissão a terceiros dos dados obtidos ilegalmente, a mesma criminaliza a interrupção intencional do serviço da internet que normalmente é cometida por crackers (indivíduos que “quebram” o sistema de segurança de forma ilegal) assim, a pena varia de um a três anos de detenção, além de multa. Outra norma que entrou em vigor em Abril de 2013 é a Lei 84/1999.

Ela pune quem usar dados de cartão de crédito na internet sem a autorização do proprietário, pois a fraude é equiparada à de falsificação de documento. Sua pena varia de um a três anos de detenção além de multa. Essa Lei ainda altera o Código Penal Militar e criminaliza a entrega de dados eletrônicos a um “inimigo” do país. A criação de delegacias especializadas em crimes cibernéticos no âmbito das polícias civil e federal também merece ser mencionada no esforço contra a segurança de dados na internet.

O Brasil criou em 2010 através do Ministério da Defesa, o Centro de Defesa Cibernética que tem como missão aprofundar os estudos de ameaças e estabelecer a doutrina nacional sobre o tema e aperfeiçoar os meios de defesa sobre essas ameaças, inclusive com investimentos em hardware e software. A consultoria Ernst & Young divulga anualmente uma pesquisa sobre Segurança Global Cibernética e a importância do investimento em segurança de dados. O objetivo é identificar o nível de conscientização das empresas a respeito de ameaças virtuais e entender as ações que são adotadas para combater os problemas.

Para 54% dos empresários brasileiros, os riscos de ataques cibernéticos aumentaram no ano de 2013, cerca de 62% das empresas declararam que vão ampliar seus investimentos em segurança da informação, enquanto 30,4% vão apenas manter as estratégias que já utilizam.

No cenário internacional, a pesquisa mostra que 83% dos participantes, (mil executivos em 64 países), acreditam que a área de segurança de suas empresas são ineficazes assim, 93% dos entrevistados devem manter ou aumentar os investimentos em projetos de segurança. Além disso, 31% dessas organizações acreditam que, dentro de suas corporações, os problemas relacionados à segurança aumentaram ao menos 5% em 2013.

Os ataques cibernéticos ainda ocorrem muito no Brasil devido à falta de cuidado dos indivíduos quando estão navegando na rede. Uma pesquisa realizada em 2013 sobre o comportamento do usuário na Internet apontou que 79,8% dos usuários utilizavam ferramentas de proteção digitais, porém em 2013, o número caiu para 65,4%, tornando-se um alarmante. Muitos usuários pensam que estão protegidos, deixando de tomar alguns cuidados e usar ferramentas de proteção até se tornarem vítimas desses crimes.

Além disso, a falta de instrução e conhecimento ajuda no aumento desses índices. Esses ataques são considerados crimes digitais. No Brasil esse tipo de crime ocupa a segunda posição na categoria de crimes econômicos. Segundo pesquisa da PwC sobre os crimes digitais, 63% dos respondentes em 2011 tinha como seu principal temor a reputação da instituição e aproximadamente 2 em cada 5 respondentes nunca se quer recebeu qualquer tipo de treinamento em segurança de dados.

Outro índice preocupante é o não monitoramento das mídias sociais, 64% dos entrevistados afirmam que não realizam ou não estão cientes desse procedimento. Embora essas mídias como Facebook, Twitter ou Linkedin não dão origem para os crimes digitais, essas redes podem ser utilizadas como fonte de informação das organizações ou de indivíduos específicos. Segundo a PwC, apenas 36% declararam adotar medidas que monitorem as mídias sociais, 80% relataram que monitoravam o tráfego interno e externo das instituições e 71% revelaram que realizavam programas de treinamento para funcionários sobre o uso correto da Internet.

No Brasil cerca de 22% das empresas brasileiras consideram segurança de informação e privacidade como prioridade corporativas enquanto no cenário mundial essa média é de 40%, segundo a Edelman. Quando o assunto se refere a conhecimento e tecnologia para proteger dados de clientes e de funcionários, no Brasil apenas 19% possui essa capacidade, já nos demais países esse número aumenta para 38%.

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